prototipo de livro unico de testemunho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Protótipo “o Livro de Memórias”

 

Por sara lopes para a pessoa activa e dinâmica que lê este blog

 

 

Este é apenas um exemplo do que podemos criar juntos para os vossos familiares, porque envelhecer não é perder a voz, é acumular histórias que o tempo não pode apagar

 

 

 

 

 


 

 

Memórias de uma Vida: Sra. Maria

 

 

Um legado para os meus netos e bisnetos porque:

 

Uma vida vivida é uma biblioteca que arde quando não escrevemos as suas memórias

e

Este livro é o mapa de um caminho que merece ser revisitado por quem vem depois

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Onde tudo começou

 

 

 

Nasci num tempo em que as ruas eram de terra e o pão vinha quente do forno comunitário

Meus pais eram muito pobres e eu e os meus irmãos corríamos na rua o tempo todo descalços a brincar a apanhada. Naquele tempo, a felicidade media se pela distância que corríamos descalços ate ao por do sol

Ajudávamos no campo com pequenas tarefas ou a guardar o pequeno rebanho de ovelhas.

Fazíamos trancas umas as outras que espreitávamos nas poças de agua. Crescemos com pouco nos bolsos, mas com o coração cheio de vizinhos que eram família

Lembro-me do cheiro da terra molhada e do som do radio que era a nossa única janela para o mundo

Eramos felizes e saudáveis.

Na escola a professora era como uma mãe apesar de severa. Andávamos todos nas pontas dos pés e se disséssemos alguma coisa menos correcta levávamos com a régua na palma da mão. Fazíamos a quarta classe e depois íamos trabalhar.


 

 

 

 

 

 

 

 

Mãos que contruíram

 

 

 

Aos 11, 12 anos íamos aprender um ofício, que no meu caso foi de costura.

Vim então para casa de uma tia afastada que servia na casa de uns senhores de Lisboa e todos os dias ia para a loja ao fim da rua da D. Adelaide. Ela era muito rabugenta, mas ensinou me com paciência o ofício. Aprendi devagar, a medida q a D. Adelaide ia podendo parar com o trabalho em mãos para me explicar como fazer. Aprendíamos fazendo. E começávamos por fazer o trabalho mais simples, mas mais maçador. Assim foi durante três anos. Por fim já dividíamos trabalho e ela achou que eu estava pronta para iniciar o meu próprio negócio.

Por isso voltei para a terra que me viu nascer e com o dinheirinho que tinha poupado nesses três anos abri a minha pequena loja de costura na terra. Trabalhar não era apenas ganhar o pão, era honrar o nome que os meus pais me deram

Foram anos muito difíceis, mas em que conheci as pessoas da vila de uma forma diferente. Por vezes apareciam apenas para conversar um pouco sobre os seus dias.

As minhas mãos contam a história de décadas de esforço, cada calo foi um tijolo no futuro dos meus filhos e aprendi que a dignidade não está no cargo, mas na honestidade com que fazemos a nossa tarefa.

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O que o amor ergueu

 

 

 

Foi num baile da desta de são João que conheci o teu avo

Era o rapaz mais bonito do baile e pediu me para dançar uma dança com ele.

Ele vinha todos os dias a pé da vila ao lado para estar comigo um pouco ao fim do dia, na janela da casa dos meus pais.

Por fim ele pediu me em casamento, dando-me como anel uma erva seca enrolada que ainda hoje guardo

Casamos numa festa pequena na igreja da vila, mas muito felizes. Ficamos numa casinha ao fim da rua

Nasceu a tua mãe, e foi o dia mais feliz da minha vida. Nunca esquecerei o som do seu primeiro choro e ter feito beicinho quando a parteira lhe pegou

 

 

 


 

 

 

 

 

O que aprendi com o tempo

 

 

Meus queridos netos, se vos pudesse ensinar algo importante seria:

 

Que nunca exagerem na vida, sejam moderados em tudo. Vivam a vida, mas com bom senso. Sem excessos. Dão sempre mau resultado no futuro

 

Nunca deitem a cabeça na almofada zangados com quem amam. E deixem sempre claro o quanto gostam das pessoas mais próximas

 

Também gostaria de vos dizer que o trabalho dignifica, mas é a família quem nutre o nosso ser, que nos sustenta

 

Sejam fiéis a vos próprios e esforcem se por ser felizes sempre olhando o outro

 

E aos meus netos diria:

 

Não vos deixo ouro, deixo-vos a minha verdade e o amor que me fez chegar aqui

 

Gostava que me vissem não como sou hoje, mas como a pessoa que lutou para que vocês fossem quem são

 

A vossa maior herança é a vossa própria origem

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um projecto dedicado aos leitores do blog terceira idade, vida feliz e em familia

 

 

 

Este livro foi escrito através da partilha de memórias online, com o intuito de eternizar uma voz que merece ser ouvida

 

 

Transformar silencio em legado: um exercício de saúde mental e afecto

 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

avos para netos, reforco da relacao

o nosso blog, a beleza do mundo